PG reduz de novo a mortalidade infantil

12 novembro, 2008 - 16:27  

Enquanto o índice nacional de mortalidade infantil, de acordo com o Fundo de População das Nações Unidas (Unfpa) é o terceiro maior das Américas, com 23 ocorrências a cada mil nascidos vivos, em Ponta Grossa os serviços de saúde do município contabilizam uma nova redução: “no primeiro semestre, nosso índice estava em 11,2 mortes por mil nascidos vivos. Nossa projeção é de que esse índice tenha caído para um dígito, nesse trimestre”, explica Alberto Calvet Neto, médico pediatra e coordenador de Saúde Preventiva da Prefeitura de Ponta Grossa. Um dos principais indicadores da qualidade dos serviços de saúde (e da qualidade de vida), a mortalidade infantil tem caído substancialmente, em Ponta Grossa, graças aos esforços e aos investimentos feitos pela administração municipal na área preventiva. Os números alcançados são comparáveis aos das melhores cidades do planeta. No mês de abril, a prefeitura de Curitiba recebeu o prêmio Objetivos do Milênio, concedido pelo governo federal, por ter reduzido o índice mortalidade infantil de 16,6 (por mil nascidos vivos) em 1999, para 10,3 em 2008. Em Ponta Grossa os números são também expressivos e – proporcionalmente – mais destacados. Em 2001, o índice de mortalidade infantil na cidade era de 21,4 por mil nascidos vivos. Em 2005, diante das ações coordenadas do governo municipal, baixou para 12,7 e, no ano passado, atingiu a menor marca na história: 11,2. Deve alcançar um novo recorde no fechamento dos dados de 2008, acreditam as autoridades de saúde. O índice de mortalidade infantil é apontado pelos especialistas e pelos organismos internacionais como o mais importante e seguro indicador da qualidade de vida de uma população, e também dos seus serviços de saúde. Esse índice, lembra o superintendente da Secretaria Municipal de Saúde, Edson Alves, também um dos componentes dos índices de desenvolvimento de uma comunidade. De acordo com o pediatra Calvet Neto, que é o responsável pelo acompanhamento dos dados e autor de estudos sobre a mortalidade materna e infantil na cidade, em vinte anos o índice de mortalidade infantil em Ponta Grossa caiu praticamente 80%. Em 1980, para cada grupo de mil crianças nascidas vivas, 61 morriam antes de completar 30 dias. Cinco anos depois, esse número baixou para 47, caindo para 44 em 1990. De lá para cá, continuou despencando, até chegar a 12, em 2005, atingindo o número histórico de 11,2 em abril. A cada ano Ponta Grossa registra bem mais de 5 000 partos bem-sucedidos. Em 2005, por exemplo, foram 5.418. “Se pensarmos em casos individuais, certamente que se pode melhorar, mas em termos de saúde pública, o resultado é excepcional”, avalia Calvet. E de fato: em 1980, nasceram 5.500 crianças em Ponta Grossa, das quais 396 morreram antes de completar um mês de vida. No primeiro ano da gestão Wosgrau, com a implantação de uma política bem mais drástica de saúde pública, os nascimentos foram pouca coisa menor, mas os óbitos não passaram de 81. Se for levado em consideração que a cada período de 24h nascem em Ponta Grossa 14 crianças, é possível ter uma idéia do impacto que esse índice tem, na vida das famílias e, daí, da própria comunidade. A receita para se alcançar essa redução significativa, de acordo com Calvet Neto, é bastante simples, porém traz embutida uma ação nitidamente intervencionista, ainda que básica e até primária. O primeiro passo dado para se reduzir a mortalidade infantil foi incrementar a nutrição materna. Hoje as mães assistidas pelos programas de apoio à gestação, em Ponta Grossa, recebem suplementos alimentares e acompanhamento médico permanente, através do Centro Médico da Mulher, implantado na atual administração, lembra Calvet. A outra medida é igualmente simples e também decisiva: disseminar a prática de exames pré-natais eficazes, em casos de alto risco. O acompanhamento médico pré-natal pode evitar dúzias de complicações e reduzir significativamente os riscos para as mães e para os nascituros. O terceiro ponto é ainda mais simples de descrever e dificílimo de implantar: prestar atendimento nas salas de parto, por obstetras e pediatras. Não existem estatísticas confiáveis, mas a própria Coordenadoria de Saúde Preventiva estima que a maioria dos partos ocorridos em Ponta Grossa, atualmente, acontece sem a assistência de um obstetra ou de um pediatra. “Geralmente, ainda temos só a presença da parteira”, anota Calvet, que defende uma mudança também radical nessa área, mas apontando uma saída: “o prefeito Wosgrau Filho já anunciou a disposição de construir e fazer funcionar uma maternidade municipal. Com isso é possível que o município consiga fazer aquilo que outras esferas de governo não conseguem, que é garantir essa assistência às parturientes”. Finalmente, o quarto ponto da política municipal de combate à mortalidade infantil é também de uma simplicidade assustadora: é preciso dispor e aplicar uma política de planejamento familiar. Por uma questão de defesa da própria vida, explica o pediatra Calvet: “partos seguidos aumentam os riscos de complicações para as crianças e as próprias mães. Por isso temos programas intensivos de orientação sobre planejamento familiar em rigorosamente todas as nossas unidades de saúde”. ACESSO A UTI PODE REDUZIR INDICE AINDA MAIS Embora bastante significativa, e com forte impacto inclusive nas futuras medições do Índice de Desenvolvimento Humano de Ponta Grossa, a mortalidade infantil pode ser ainda menor, a um custo financeiro razoavelmente elevado, mas politicamente fácil de justificar. De acordo com o estudo de Calvet, 60% das mortes de crianças com menos de um ano decorrem de causas neonatais. Ou seja, de cada centena de mortes, 60 são verificadas no prazo de um mês após o nascimento da criança. Boa parte dessas mortes, afirma Calvet, poderia ter ser evitada se houvesse a disponibilidade de terapia intensiva para esses casos. Em Ponta Grossa, em função do compromisso do governo Wosgrau, já existe uma rede de suporte à vida com leitos de terapia intensiva neonatal na rede privada e de UTI pediátrica no Hospital da Criança “Prefeito João Vargas de Oliveira”. “Temos feito a nossa parte e desenvolvido, ao longo de muitos anos, ações efetivas para reduzir a mortalidade infantil. E estamos conseguindo. Evoluímos muito, nos últimos 25 anos. Mas podemos melhorar”, diz Calvet. “Saúde sempre vai ser prioridade", diz Wosgrau O prefeito Pedro Wosgrau Filho diz que ao estabelecer a saúde como prioridade para o governo, percebeu as graves carências enfrentadas pela cidade e decidiu que havia meios para suprir parte delas e buscar, onde fosse, as condições para oferecer serviços melhores e mais confiáveis. “Os números são fáceis de compreender e mostram como o sistema de saúde melhorou, nos últimos anos. Essa redução muito significativa no índice de mortalidade infantil, e a redução a zero da mortalidade materna, mostra que estamos no caminho certo”. O prefeito admite que nem tudo funciona – ainda – como deveria. “O atendimento à saúde nos bairros ainda não está dentro do que nós queremos. Ainda não dispomos de todos os serviços que desejamos nem de todos os profissionais de que necessitamos. Mas estamos trabalhando para isso, todos os dias, semana após semana, desde que assumimos a prefeitura”. Wosgrau também relata que estão em curso mudanças profundas na sistemática de atendimento à comunidade, desde entrada em funcionamento dos Centros de Assistência à Saúde (CAS), localizados nas proximidades dos terminais de transporte coletivo, e programas ambiciosos, como o Hora Marcada, já em testes, e o “Remédio em Casa”. “Além disso, instalamos leitos de UTI no Pronto-Socorro e no Hospital da Criança, que também contam com melhores condições de funcionamento, readequamos os serviços especializados e passamos a oferecer muito mais exames em prazos muito mais curtos. Nosso compromisso com a saúde está sendo cumprido”. (box) Evolução - Mortes de crianças, por 1.000 nascidos vivos: 1980 – 61 por mil 1985 – 47 por mil 1990 – 44 por mil 2005 – 12 por mil 2007 – 11,7 por mil 2008 – 9,7* por mil (*) projeção para os 12 meses.

Publicado por Edgar Hampf
 
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